Quatro morrem na madrugada gelada da capital paulista, afirmam movimentos

Na madrugada mais fria dos últimos cinco anos na capital paulista, na quarta-feira, dia 30 de junho de 2021, quatro homens foram encontrados mortos. Três deles estavam na praça da Sé e um na baixada do Glicério, ambos na região central, segundo os movimentos nacional e estadual de população em situação de rua de São Paulo.

Questionadas, a prefeitura paulistana e a SSP (Secretaria de Segurança Pública do Estado) não confirmaram se as mortes foram provocadas pelo frio. Segundo o presidente Movimento Estadual da População em Situação em Rua, Robson Mendonça, a informação sobre as mortes foram passadas por moradores de rua.


“Eles se conhecem e quando vieram aqui na sede do movimento, avisaram das mortes”, disse.


O coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Darci Costa, disse que dois dos homens aparentavam ter cerca de 40 e 60 anos de idade. Costa afirmou que, no mesmo período de 2020, oito moradores de rua morreram na cidade e que somente na semana passada foram sete. A explicação para o aumento no número de mortes, segundo ele, é que no ano passado foram doadas muitas barracas e esteiras de isolamento para os moradores de rua.


“Mas, neste ano, a prefeitura recolheu várias barracas no verão, e agora no inverno, a conta chega”, ressaltou.


O padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua, disse que pessoas na rua morrem todos os dias, mas no inverno o número aumenta.


“Jamais a prefeitura ou a polícia vão admitir que foi frio que provocou estas perdas, mas é o que parece quando alguém dorme numa calçada fria com 5°C de temperatura”, ressaltou.


Em nota a prefeitura, gestão Ricardo Nunes (MDB) disse que não tem como atestar essas mortes, já que é SVO (Serviço de Verificação de Óbitos), da USP, ou o IML (Instituto Médico Legal) determinam a causa. Questionada, a Secretaria da Segurança Pública, do governo estadual, gestão João Doria (PSDB), não respondeu até a conclusão desta edição.

A cidade de São Paulo teve recorde de frio na madrugada da quarta-feira (30/06), com a mínima de 6,3°C registrada por volta das 04 horas no Mirante de Santana (zona norte), segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia. Foi a menor temperatura desde 12 de junho 2016, quando o termômetro acusou 3,5°C. Já o GCE (Centro de Gerenciamento de Emergências), da prefeitura, apontou uma madrugada ainda mais gelada, com temperatura mínima média de 5,7°C. Engenheiro Marsilac (zona sul) teve temperaturas de 1ºC e 0ºC, entre 04 e 07 horas.

Esta quinta, dia 1º de julho, terá tempo seco com alternância de sol e nuvens. A previsão do Inmet é que a temperatura máxima até suba um pouco na capital durante o dia e atinja 17°C, mas durante a noite e de madrugada, a mínima ficaria em 4°C. Esse frio intenso é fruto de uma massa de ar polar.

A Defensoria Pública afirmou ter encaminhado na quarta (30) um ofício para os governos estadual e municipal pedindo a adoção de providências voltadas à população em situação de rua por causa da onda de frio intenso.

Entre outros itens, a Defensoria recomenda a ampliação imediata do número de vagas disponíveis para acolhimento, inclusive de crianças e adolescentes, a oferta de abrigos emergenciais, se necessário, em escolas, igrejas, hotéis, salões e demais espaços públicos e privados adequados a essa finalidade, com plantão 24h, a intensificação das abordagens sociais nos locais onde se verifica a presença de população em situação de rua e a suspensão imediata de quaisquer ações de retirada de pertences da população que se encontre na rua. A prefeitura disse que na madrugada da quarta, 227 pessoas foram acolhidas, houve 30 recusas e foram distribuídos 200 cobertores.


“Desde 30 de abril, foram contabilizados 10.744 acolhimentos, 779 recusas e 9.537 cobertores distribuídos”, afirmou, em nota.

“Desde o dia 30 de abril, quando teve início o Plano de Contingência para Situações de Baixa Temperatura de 2021, até ontem [terça], foram feitos 783.771 acolhimentos na rede socioassistencial destinada à população em situação de rua.”

“Especificamente a partir de chamadas à central 156, no período de plantão (noite/madrugada) da Coordenação de Pronto Atendimento Social, houve 10.744 acolhimentos, 779 recusas e 8.687 cobertores distribuídos”, afirmou.


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Em nota, o governo estadual disse que vai distribuir à população em situação de rua da capital paulista 50 mil cobertores que foram doados pela iniciativa privada.

© Getty

POR FOLHAPRESS.


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